quinta-feira, 10 de abril de 2008

Meu Amor

Menti, iludi, manipulei, desiludi, magoei. Pelos vistos é basicamente isto. Ah, e sou alucinado. É importante referir isso.
E também nunca fiz esforço nenhum por a nossa relação. Pior, acabei com ela assim do nada, pelo telefone. Que cobarde que eu sou.
Mas pronto. Queres os motivos para a minha subita decisão. Pedes-me isso cada vez que me pedes para te ligar.
Simples meu amor. Estou farto de ti.
Rude? Não. Apenas sintético.
Merdas de que me fartei em ti:
- Ter que levar com os "amiguinhos queridinhos da baixa porque a baixa tem estilo". Meu amor, quando nos conhecemos eu já estava a sair desse mundo. Como achas que me sinto dois anos e meio depois, ao ser forçado a ver pessoas que desprezo, e fingir dar-me bem com eles.
- Ter que aturar as tuas neuras todas, alinhar nos teus esquemas todos, e no momento em que eu me vou abaixo, virares-me as costas. E não foi uma unica vez.
- Ter começado a fazer tratamento psicologico porque tu dizias que eu precisava de ajuda. Mas e tu?
- Ter que saber que desde que vieste pra cá fodeste toda a gente. Menos eu claro. Mas eramos um casal. Ou eu era um bonequinho giro para mostrar. Nem quero desenvolver esta ideia.
- Ser trocado por alguém que se conhece nessa noite.
- Ter que almoçar fora de casa, tomar café longe, visitar as mesmas lojas todos os dias até já tratar por tu os empregados e os convidar para beber um copo, pelo incomodo.
- Ter que te ouvir falar das experiencias excelentes que tiveste entretanto, e nenhuma me incluir.
- Ter que fingir algo que foi um trauma. Ter que realmente repensar em tudo o que me passou pela cabeça naquele verão. As possibilidades voltaram e eu voltei a cair na mesma merda.
- Epah, eu nem queria ser porco, mas pronto, tem que ser. Fartei-me de ter que me masturbar a fantasiar com uma qualquer actriz porno, como fazia aos 16 anos. Porquê? Por ter namorada.
- O ponto anterior dura relativamente pouco. Sou adulto, sexualmente activo e o sexo é uma das minhas necessidades do dia a dia. Ok, talvez me contente com menos se tiver que ser, mas nada não dá. E pronto, sabes como é, sextas no bairro podem ser muito confusos para a cabeça de um bisexual sexalmente reprimido, e metes umas vodkas no meio e cinco ou seis charros, e aquela xavala que comi no verão a aparecer ali de novo e ter dinheiro para o taxi. Bem, sabes como é, uma coisa leva à outra.
Claro que não me lembro muito bem, mas sei que me soube pela vida. Mas não vamos comentar isso.
E pronto, botom line, pah, é o karma ou o caralho, mas pronto...
Pah, isto piora, mas é melhor parar aqui.


Amo-te, só não consigo aturar-te mais.
Um beijo,
Chainer

quinta-feira, 13 de março de 2008

Palavras de outros que se aplicam a ti.

"E por extensos momentos existes apenas tu, a musica e o fumo, e sentes-te bem, e tudo está bem, e é quando começa a falhar a destreza motora e tu ficas ao ritmo de uma pessoa normal. Pelo menos por fora. Cá dentro as ideias surgem-te e desvanecem-se a um ritmo alucinante, flashes de realidade no monitor da mente. Puxas o ultimo bafo de directa. Um mimo de ti para ti, um apreço, um gesto de carinhosa generosidade. Levantas-te, olhas-te ao espelho. Quem és tu hoje?"

"Life is like smoking a joint. You need some raw material, work, a few friends help make the experience better, it fries your brain, and ends in ashes and dust."
Hit(the)Machine

" - Fechei-me em mim. Nunca mais ninguém viu a beleza que eu possuia. Nunca mais a minha caneta escreveu maravilhas capazes de fazer alguém sonhar. Nunca mais um sorriso me saiu sincero. Procurei em meio mundo uma forma de fugir do que sentia de ti. Nada resultou. Apenas o tempo. O amor transformou-se em odio. Não por ti, mas por tudo. O odio em indiferença. A indiferença em apatia. No fim eu já não era nada. E do nada saí, marcado para sempre pelo sofrimento. E nisto me tornei...

- No quê?

O sorriso dele desvanece-se. Vê-se nos seus olhos a mágoa.

- Num poeta maldito.

Ele levanta-se e sai."

"Pouco depois pegou na mão dele e abraçou-o. Ficaram assim, juntos, movendo-se como um só. Os seus corpos pareciam conhecer-se, apesar de nunca antes daquela noite se terem visto. Moviam-se ao mesmo ritmo, os mesmos movimentos. Ela sentia-se bem. Feliz ali..."

"Olho para os milhares de pedaços de uma mente quebrada vezes sem conta, peças soltas do puzzle que um dia foi um ser humano, ao qual só restam sonhos destroçados, agonia e uma folha de papel, perdido na embriaguês da culpa e do desespero."

"As instruções acabaram e tu partiste. Nada muda isso. Sei bem que não vais voltar a segurar-me nos teus braços como costumavas fazer, a beijar-me fogosamente como nos velhos tempos. Não vais voltar, e tudo não passa de recordação e dor. E saudade... tanta..."
Grove of Delusions

"I used to be the tight one
The perfect fit
Funny how those compliments can
Make you feel so full of it"

"And sappy songs about sex and cheating
Bland accounts of two lovers meeting
Make me want to give mankind a beating"

"And you might say its self-inflicted
But you see that's contradictive
Why on earth would anyone practice self destruction?"
The Dresden Dolls

"If you really think you got what it takes to be me,
Then walk a mile in the skin of my head case mental being,
So you want a piece of this life that belongs to me,
Well make a cut on the line and take a deeper look inside of the freak!"
Mudvayne

"Pretty perfect girly;
Dressed in black.
Purple highlights in the back.
I see you as you are;
I see you're transparent.
I see you as you are;
I see you're transparent.
Leaning on one hip with a cigarette;
Thinking your ass is as good as it gets.
I see you as you are;
I see you're transparent.
I see you as you are;
I see you're transparent."

"I just saw you twitch.
Twitching like a mouse.
Pretending to play dead;
In this kitty's house.
So I'll toy with you.
So try not to be caught.
Ooh; 'cause my teeth are sharp;
& my temper's hot.
Oooh; wrote down every lie.
Oooh; there's nothing left to hide."
Porcelain and The Tramps

"HÓSPEDE NOVE HALLOWEEN A RESPONDER?
(...)
HÓSPEDE NOVE HALLOWEEN COMPROMETIDO SEM REPARAÇÃO?
(...)
ANFITRIÃO (SERVO) AMA NOVE COMPROMETIDA SEM REPARAÇÃO?
(...)
DOMINIO NOVE COMPROMETIDO SEM REPARAÇÃO?
Era esta a litania amigável, repetida vezes sem conta num código incoerente: estás fodido, a Ama está fodida, o teu mundo está fodido? Sim, sim e sim."

"Então tudo não passa de zeros e uns."

"Desiste deste mundo, desiste do seguinte, desiste de desistir."

"- Qual é a alternativa? - perguntou-me Champanhe. Ela disse isto - tenho a certeza disso - como uma pergunta retórica, nada mais.
Respondi que a extinção humana talvez não fosse uma ideia assim tão má."

"Será que eles sabiam que, enquanto simples lagarta, a borboleta monarca come uma dieta constante de veneno? A asclepiadácea produz um veneno forte, mas a monarca consegue ingeri-lo. Por outro lado, se um pássaro engolir a monarca, engole o veneno, adoece e muito provavelmente morrerá.
Querer-me-iam mesmo? Quereriam o veneno?"

"Estou sozinho com os meus pensamentos.
Afirmei que não me restava nada... mas não é verdade.
Mesmo com uma memória despedaçada, ainda possuo retrospectiva. Com clareza perfeita, consigo perceber aquilo que me tornou o que sou. Não consigo ver para a frente, mas consigo ver o caminho para trás.
É calmante.
O mundo real agora é meu e eu posso andar nele e viver dentro da minha propria pele. E, quando morrer, a Natureza engolir-me-á e nova vida irá buscar o seu sustento do meu corpo e dos meus ossos.(...)
Não é nada que se deva temer.
Até que chegue esse dia, tenho a floresta. E a minha liberdade. E lampejos de compreensão no meio do vazio e da dor.
Não é suficiente.
Mas é alguma coisa."
Nick Sagan

"Remember, you're a wreck an accident
Forget the freak you're just nature
Keep the gun oiled and the temple clean
Shit, snort and blaspheme let the heads cool and the engine run because in the end everything we do, is just everything we've done."
Stone Sour

terça-feira, 4 de março de 2008

Biting keeps your words at bay
Tending to the sores that stay
Happiness is just a gash away
When i open a familiar scar
Pain goes shooting like a star
Comfort hasn't failed to follow so far...

And you might say it's self-indulgent
You might say its self-destructive
But, you see, it's more productive
Than if i were to be healthy

& pens and penknives take the blame
Crane my neck & scratch my name
But the ugly marks
Are worth the momentary gain...
When i jab a sharpened object in
Choirs of angels seem to sing
Hymns of hate in memorandum

And you might say it's self-indulgent
And you might say it's self-destructive
But, you see, it's more productive
Than if i were to be happy

And sappy songs about sex and cheating
Bland accounts of two lovers meeting
Make me want to give mankind a beating

And you might say it's self-destructive
But, you see, i'd kick the bucket
Sixty times before i'd kick the habit

And as the skin rips off i cherish the revolting thought
That even if i quit
There's not a chance in hell i'd stop
And anyone can see the signs
Mittens in the summertime
Thank you for your pity, you are too kind

And you might say its self-inflicted
But you see that's contradictive
Why on earth would anyone practice self destruction?

And pain opinions are sitcom feeding
They dont know that their minds are teething
Makes me want to give mankind a beating

I'm tried bandages and sinking
I've tried gloves and even thinking
I've tried vaseline
I've tried everything
And no-one cares if your back is bleeding
They're concerned with their hair receding
Looking back it was all maltreating
Every thought that occurred misleading

Makes me want to give myself a beating....

The Dresden Dolls - Bad Habit

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Ele chega a casa numa sexta. Larga as malas e cai na cama, ainda vestido, sem a minima vontade de se mexer para seja o que for. É só uma semana, lembra-se. Mas aquele pequeno "só" destoa na frase, uma semana da sua perspectiva distorcida parece uma eternidade.
Acorda no sábado antes das 7 da manhã, toma um duche rápido, veste qualquer coisa simples e confortável, hoje não lhe interessa parecer bonito, tal pensamento nem sequer lhe passa pela cabeça. Sai, toma um café, faz compras para a semana e volta para a cama.
Passa o dia a dormir, prepara um jantar que supostamente deveria ser especial, mas o dia parece-lhe igual a todos os outros, a monotonia instalou-se e a quebra para ela ainda está a muito tempo de chegar. Sonha com ela, apesar de não se conseguir recordar dos pormenores quando acorda.
Passa a semana entre as aulas, um qualquer mundo de fantasia onde as coisas parecem um pouco menos negras e a cama. Dorme muito. Detesta dormir, mas detesta ainda mais o tempo em que tem que estar consciente, acompanhado pelas sombras e as memórias.
Tenta sobretudo não pensar nela. Afasta-a deliberadamente do pensamento das inumeras vezes que ela lhe surge como uma luz que afasta tudo o que o preocupa. Não pode dar-se ao luxo de pensar nela. Pensar nela implica lembrar-se que está longe demais dos seus braços, do seu sorriso, dos seus beijos ardentes, do calor do seu corpo esbelto.
Chega finalmente o final da semana, a tão esperada sexta feira, e ele pensa que tudo está finalmente bem, pode por fim estar com ela, pode permitir-se pensar nela, quando recebe a noticia.
As palavras surgem numa janela do monitor que é ignorada durante mais de meia hora, porque agora está apenas a umas horas de poder voltar a tê-la nos braços. Quando finalmente a abre descobre que afinal o seu companheiro de viagem resolveu adiar para a semana seguinte a visita á quinta. Merda, nada pode correr bem para variar? Ele até se tentou esforçar, forçou-se a cumprir os seus deveres, a não cair na depressão. Merece uns dias de paz, mas estes sem que ele tenha culpa escapam-lhe por entre os dedos.
Faz um telefonema, explica o que se passou.
Afinal faz falta lá. Afinal depositam-lhe o dinheiro para voltar. A familia, apesar de tudo o que ele possa pensar, ainda se preocupa com ele. Ainda não desistiram dele. "Vem, passa o fim de semana connosco. Queremos estar contigo, precisas do nosso apoio."
Sim, precisa. Mas não é o apoio da familia que ele quer. É o conforto dos braços dela. Sente-se mais aliviado agora. Pensa em mandar-lhe uma mensagem, avisá-la. Não o faz, tal como acabou por não o fazer nas inumeras vezes durante a semana em que ficou à janela, de telemóvel na mão a pensar em tudo o que lhe queria dizer, acabando por o abandonar em cima da cama e sair para um passeio inutil que apenas serve para pensar demais. Talvez o pai tenha razão. Talvez ele não devesse ficar sozinho. Ele não quer estar sozinho, mas ao mesmo tempo também não quer estar com ninguém que não seja ela. Na impossibilidade de tal desejo ser realizado refugia-se em sonhos, drogas e mundos de fantasia.
É sexta. Acabaram-se as drogas. Não há tempo para dormir e sonhar, ou para se alienar noutros mundos. É dia de preparar as coisas e voltar para junto dela.
"Tenho que a avisar que vou ter com ela."
Nota-se pela primeira vez numa semana um sorriso nos seus lábios.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

As instruções acabaram e tu partiste. Nada muda isso. Sei bem que não vais voltar a segurar-me nos teus braços como costumavas fazer, a beijar-me fogosamente como nos velhos tempos. Não vais voltar, e tudo não passa de recordação e dor. E saudade... tanta...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

- Acordaste finalmente?
- Hum...?
- Olá.
- Que fazes aqui?
- Acordaste de mau humor foi?
- Não. Só não estou habituado a ter uma sombra aos pés da cama quando acordo.
- Acredito.
- Mas a sério. Que fazes aqui?
- Chamaste-me.
- Não.
- Sim. Chamaste-me três vezes nos ultimos vinte minutos. Contei-as.
- Estava a sonhar provavelmente. Já lês sonhos é? Espera... Nos ultimos vinte minutos estavas aí?
- Bem, não. Ainda estive a verificar a tua colecção de musica no pc antes de vir para a janela.
- Mas que raio fazias tu aí?
- Achei por bem falar contigo.
- Acho que nem vou perguntar o que te levou a pensar isso...
- É melhor. Tu até sabes.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

As endorfinas começam a desvanecer-se e o calor artificial do ventilador entorpece-me o corpo. Voltam a tristeza e a melancolia, velhas companheiras queridas, encontrando-me neste estado semi-consciente acompanhado de um cigarro (ah, o que eu não daria agora por algo mais forte). Três semanas de uma tentativa de isolamento falhada graças á presença quase constante da familia que não parece notar a minha crescente depressão. Afinal de contas, eu estava a recuperar bem, até ter resolvido desistir do apoio e dos comprimidos, mas foda-se, se tenho que estar constantemente num estado de alienação, ao menos que seja eu a escolher o narcótico que o provoque. Na verdade nenhum entra no meu corpo há mais de duas semanas. Nem mesmo alcool, tão facilmente acessivel. Detesto os seus efeitos, durante e depois.
Falta-me tudo. Ou, na opinião geral, não me falta nada, mas isso não impede que sinta a falta de algo que não sei o que é.
Estou de ressaca da realidade, de anti-depressivos, de anti-psicoticos, de amor, de ilusões. Estou de ressaca do mundo, e nada a não ser a nova companhia parece conseguir animar-me, mas não posso estar constantemente com ela, nem quero (na realidade até quero, mas não posso). Mas não é justo estar a usá-la para evitar estar neste estado catatónico de desespero e melancolia e saudade de um tempo em que tudo era mais simples e não havia mil e uma merdas que pudesse lembrar para me arrastar mais para o fundo. Não precisava disto para me sentir inutil. Sou-o. Sei-o bem. Mas não precisava que a minha mente mo recordasse a cada segundo. Apetece-me adormecer, cair num sono sem sonhos, sem pesadelos que me recordem que não gosto do que me tornei durante a maior parte do tempo, apesar de conseguir apreciar as vantagens obvias quando recordo as gotas de alegria perdidas neste oceano de depressão.
Irrita-me estar a fazer este estupido lamento que a nada leva, que ninguém vai notar. É apenas mais um devaneio idiota.
Acendo um cigarro. Tento inutilmente parar de pensar, de sentir. A nicotina não era suposto ser minimamente anti-depressiva? Talvez minimamente seja pouco. Preciso de um narcotico mais forte. Preciso de paz. Onde raio está a droga da paz? Não inventam comprimidos para tudo e mais alguma coisa? Porque raio não inventaram ainda algo que mande a minha mente desta para melhor, que lhe faça um reset, um reinicio.
No fundo, tudo o que quero é esquecer...

"Still feel you on the inside, bitting through and stinging. Will I ever forget to remember?"

Clico em publicar sem me atrever a reler este lixo. Vale sequer a pena publicar? Duvido...