Estava a comer salada e a beber um copo de agua, seriam umas 3 da tarde.
Salada e água... porquê? Por serem a unica coisa que o meu estomago magoado e ferido aguenta neste momento.
A noite passada nao existe na memoria e tudo o que sabes é o efeito do que se passou, o murro no estomago de saber ter feito merda e nao conseguir lembrar-me atinge-me.
Como salada, bebo água.
Preciso de musica e de lavar as feridas e o sangue da minha roupa.
O que raios se passou esta noite?
sexta-feira, 29 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Um pouco de fantasia que escrevi há pouco
Ele entra de rompante taberna adentro, gritando a plenos pulmões:
- Demónio. Sei que estás aqui, mostra-te ou reduzo este lugar a cinzas contigo lá dentro.
A repentina entrada do jovem estranho num lugar apinhado de homens de mau feitio nesta zona das docas, especialmente dadas as palavras, causaram com que toda a taberna paralisasse um momento, olhos fixos no estranho, mãos a serem apertadas em torno de tudo o que pudesse servir de arma.
No meio do conturbado momento, um humano sentado sozinho numa mesa junto à lareira chamou a atenção geral:
- Se caças demonios queimando inocentes, és tão mau quanto o que tentas caçar. E que tal se acalmasses os nervos, te sentasses a beber uma cerveja enquanto me contas o que se passa. Willie, dá-nos uma caneca e enche-me o calice por favor. O resto de vocês podem voltar a beber descansados.
O humano era alto, vestido de roupas largas, negras, se bem que desgastadas. Um manto por cima de uma blusa justa e calças rasgadas no fundo. Era semi-conhecido. Semi porque toda a gente o tinha visto ali antes, não porque alguém soubesse algo sobre ele.
O jovem pareceu acalmar-se, e a atenção geral acabou por desvanecer dele pouco antes do olhar assassino passar a um olhar interrogativo virado ao humano que o havia convidado a sentar.
- Não estás à espera que eu me vá levantar e puxar-te a cadeira como faria a uma senhora, certo? Willie...
- 'Tou a ir. - com isto o taberneiro entregou uma caneca de cerveja e um calice novo na mesa e voltou para trás do balcão.
O jovem sentou-se e bebeu um longo trago da caneca. Entretanto, o homem de negro questionou-o:
- Quem ou o que procuras tu?
- O demonio que destruiu cinco blocos do mercado há alguns anos atrás.
- Referes-te à explosão de há alguns anos? Toda a gente pensa que tal foi um acidente.
- A minha familia morreu nesse "acidente". (O tom era amargo ao dizer a palavra.)
- Compreendo. Mas... se procuras o demonio que o fez... é porque sabes que não foi acidente. Explica-me.
- Eu consigo sentir e manipular poder arcano. Aquela explosão foi uma explosão arcana, não uma explosão normal como toda a gente pensa. Foi tão intenso que mesmo hoje se consegue sentir os resquicios da energia conjurada nesse dia. É possivel ler a assinatura arcana.
- Ler?
- Sabe, a energia canalizada responde de forma ligeiramente diferente, deixa rasto diferente conforme a pessoa que a conjura. Quanto mais potente o uso, mais fácil é distinguir quem é o responsavel, se para tal conseguir que ele revele ainda que o mais pequeno traço de energia arcana proximo de mim. É por isto que sei que ele veio para aqui. Mas a verdade é que não sinto nada neste momento. Pelo que percebi, terá baixado qualquer defesa arcana depois de ter entrado. Consegui seguir o rasto até aqui.
- Compreendo. E que planeias fazer quando encontrares a pessoa em questão?
- Matar aquele demonio e livrar o mundo de um assassino perigoso com poderes que não deveriam cair em mãos como as dele.
- Portanto, deixa ver se percebi... tu tens o quê? 16 anos?
- 18.
- Certo. E planeias matar um demonio que há alguns anos arrasou com quase metade do mercado a meio da noite. Demonio que indicas conseguir usar o mesmo tipo de poder que tu reclamas ter, e que portanto tem exactamente as mesmas vantagens extra-fisicas que tu. Como podes garantir conseguir eliminar alguem assim? És um jovem. Devias estar a desenvolver o teu talento em vez de a correr atrás da morte. Planeias juntar-te à familia que já perdeste é?
Um ar de seriedade e dor tomaram conta do jovem mago.
- Não posso falhar. Não posso morrer enquanto aquele demonio existir.
- Se falhares morres, certo? Sem segunda oportunidade.
- Recuso-me a falhar.
- Ainda assim, continua a ser uma possibilidade. Estou apenas a ajudar-te a pensar. E tu resolves entrar a berrar que vais queimar o sitio. Jovem Mago, o taberneiro era um antigo Escarlate que se reformou ao perder a perna esquerda. Mesmo sem a perna, aposto que ele ainda te conseguia fazer estragos, magia ou não ao barulho.
- Escarlate? Aqui? Pensava que a organização deles apenas operava a norte de Val-horn.
- Reformado. E eles têm agentes bem alem de Val-horn.
- Certo. Não receio nem um Escarlate. A minha presa é bem mais poderosa.
- Diz-me uma coisa. Se esse demonio fizesse uso da sua energia agora, tu reparavas nele certo? Reconhecerias a assinatura arcana?
- Sim.
- Optimo. Mantém-te atento então.
- Atento a quê?
Ao redor deles, os ocupantes da taberna começaram a adormecer, um a um, no local onde se encontravam. Os unicos resistentes eram os ocupantes da mesa e o taberneiro, que com um ar entediado resolveu intervir:
- Drak, podes por favor parar de usar a minha taberna para testes teus?
- Desculpa Willie, mas aqui o nosso amigo precisava de uma pequena dose de energia arcana para confirmar se existia aqui um demonio.
O jovem mago estava de pé, em posição de defesa e com uma bola de chamas entre as mãos, parada mas pronta a ser atirada.
As chamas apagaram de repente, bem como pouco depois começaram a ouvir-se os clientes a começar a acordar, resultado do cancelamento do feitiço de sono.
- Willie... porque fizeste isso? - palavras de Drak, o homem de negro.
- Porque ali o pirralho ia disparar aquela bola contra ti. Acho que ele achou o demonio dele. levem isto lá para fora. Eu vou continuar a manter a minha tecnica activa, portanto nem pensem que um pingo de energia arcana vai ser usada dentro da minha taberna.
Drakallis tranquiliza o taberneiro:
- Descansa, eu vou com ele, e vou tentar esclarecer o que se passa. Isto se ele resolver ouvir, que esta cabeça deve ser dura que nem rocha. Normalmente magos de fogo são assim.
- Tens razão. Mas tenta não acabar com o pirralho. Ele parece ter algum talento.
O mago permanecia incredulo a olhar para as palmas das mãos, perplexo.
- A técnica de anulação dos Escarlates. A minha magia é inutil.
- Exacto pirralho. E aqui a do teu demonio tambem. Mas ao contrario de ti, garanto-te que ele sabe sobreviver sem magia. Pira-te do meu estabelecimento por agora e não destruam nada dentro da cidade enquanto tentas esquartejar ali o Drak. Já agora, a cidade é mais ou menos o alcance do meu poder. Estou enferrujado, conseguia cobrir a provincia.
Drakallis pegou no mago pelo ombro e praticamente arrastou-o para a rua mal iluminada naquela fria madrugada. Viraram a primeira esquina apos a saida para um beco, e de repente o jovem perdeu temporariamente a noção de onde estava.
Quando a sua mente conseguiu finalmente resolver a confusão interna apercebeu-se de que se encontrava numa clareira de uma floresta, não fazia ideia de onde.
- Teletransporte miudo. Bastante util. Foi por isso que me seguiste até ali. É por isto que nem é dificil de identificar os meus passos para alguem como tu. São raros nestas partes do mundo sabias? Aqueles que conseguem realmente dominar a energia.
- Foste tu quem causou aquela explosão.
- Não. Eu fui obrigado a causar aquela explosão. O Willie perdeu a perna graças a essa explosão. Muitos outros teriam morrido se eu nao tivesse causado essa explosão. Aquilo que aniquilei nesse dia sim, era um demonio. Eu ainda sou humano, se bem que por bem pouco, acho eu.
- Como assim?
- Ah. O meu corpo é humano, mas eu não sou propriamente um humano normal.
- Que queres tu dizer com tudo isso?
- Eu, o Willie e mais dois membros dos Escarlate terminamos uma missão durante essa explosão. O objectivo era uma aberração, um mago possuido. O nosso objectivo era o demonio, não o hospedeiro.
- Tu és um Escarlate?
— Já fui. É uma longa história. Retirei-me pouco depois dessa missão.
- Eu quero matar-te.
- Já te disse, estás a enfrentar alguem que te é vastamente superior.
- Não acredito em tal.
Uma bola de chamas passou a razar a cara de Drak, desviada de curso.
- Como fizeste isso?
- Magia.
- Eu não falhei a pontaria, tu não te mexeste, a minha bola simplesmente desviou-se de ti.
- Exacto. Magia.
Três novas bolas, duas deflectidas para os lados, a terceira voltando para trás e parando em frente da cara do mago.
Raizes com espinhos brotaram do chão, envolvendo-lhe as mãos e os pés, prendendo-o num abraço que o deixava praticamente indefeso contra a explosiva bola de chamas ainda parada em frente da sua cara.
- Os meninos não deviam brincar com fogo.
- Atreves-te a fazer troça de mim?!
- Se queres matar a tua presa, precisas conseguir sobreviver ao seu ataque. Pensavas mesmo que podias simplesmente matar-me com uma bolita de chamas?
Um pilar de chamas envolveu o mago, queimando as raizes e absorvendo a bola que se encontrava em frente da sua cara.
Varios outros projecteis irromperam do pilar na direcção de Drak.
Todos eles certeiramente apontados ao seu peito.
Drak não se mexeu e absorveu os projecteis.
Várias explosões depois o pilar desvaneceu-se, o mago com ar cansado esperava a poeira do devastador ataque baixar para revelar um cadaver carbonizado, mas tudo o que estava era Drak, ileso, vestes intocadas pelas chamas.
- Como? Tu foste atingido.
- Sim.
- Estás ileso.
- Sim.
- Como?
Drakallis desapareceu da visão do mago. Sombras atrás do mago ergueram-se e engoliram-no. Tudo à volta era escuridão, e a forma de Drak erguia-se à sua frente.
As tentativas do mago de conjurar fosse o que fosse eram em vão. Drak sabia disso e aguardou, paciente que o mago voltasse a falar, o que demoraria uns dois minutos.
- Porque é que eu não consigo usar nada?
- Não tens fonte de mana.
- Eu sou a minha fonte de mana.
- Criança. Brinca com o fogo e pensa dominar o sol.
- Pára de gozar comigo. Se os teus poderes são remotamente parecidos aos meus, tu tambem não deves conseguir usar nada.
- Achas mesmo que eu sou parvo? Sim, este pequeno globo de escuridão é engraçado, mas a verdade... tu já não te encontras em Selenia. Estás fisicamente cortado das tuas fontes de mana. Estás fora do teu plano, e não consegues aceder a ele para drenar mana para alimentar a tua magia. Estás num plano de sombras.
- Mas isso significa que eu posso aceder à mana deste situo.
- Não me parece. Tenta usar uma das tuas magias com a mana deste situo então.
Uma pausa...
- Não consigo. Mas presumo que tu sim, e te vais dar ao prazer de me explicar o porquê.
- Porque pensas isso?
- Não te certificaste de que eu pudesse apenas depender do meu corpo para nada. Ou vais matar-me, ou vais explicar.
- Ou ambas.
- Ou ambas. Mas começa por explicar. Ao menos morro com mais conhecimento.
- É essa a atitude. Isto é um plano nulo. Não consegues aceder a mana do teu tipo aqui. Sim, há mana, e sim, eu consigo aceder a mana. Tu tambem consegues. Mas pelo que percebi tu és um mago de fogo. Precisas de tal.
- Exacto.
- Eu não. E eu estou perfeitamente em harmonia com este situo. Estás neste momento no situo onde costumo vir meditar. Arrastei-te através de uma porta que sabia existir ali. Deste lado, infelizmente para ti, já me apercebi que eu posso ver a porta e tu não.
- Há uma saida deste sitio?
- Há. Mas se não consegues vê-la, não consegues usa-la. Vais precisar de mim para sair daqui. Portanto, mesmo que ainda penses que me podes matar, sim, até talvez pudesses caso conseguisses reaver a tua energia, coisa que te consigo sentir a fazer neste preciso momento, o que implica que se me matares, ficarás aqui preso. Podes continuar a tua busca.
- Certo. Portanto, vais esperar que eu recupere é?
- Sim.
- Então explica-te.
- Que queres saber?
- Onde estou?
- Num plano nulo. Tal como te disse, transportei-nos do beco para junto da porta deste sitio. É como uma outra dimensão que não a que estás habituado a ver.
- Há outras então.
- Biliões.
- Exploraste?
- Alguns milhares. Alguns são sitios grandes, outros nem tanto.
- Como acedes a mana aqui?
- Através do ether, mesmo que em qualquer outro sitio. Tu não consegues é encontrar o teu caminho através dele para um sitio que te seja familiar.
- Estou mesmo fisicamente desconectado?
- Sim, é isso que te está a causar dificuldades. Eventualmente, conseguindo meditar e apalpar, digamos, conseguiras aceder. Eu tenho é outra familiaridade com o sitio. Mas se conseguires canalizar mana negra, este sitio está repleto dela.
- Magia negra?
- Sim.
- Não conheço magia proibida.
- Isso é hilariante. Proibida porquê?
- A mana negra corrompe.
- A mana corrompe. Toda a mana. Modela-te mais à sua forma de ser.
- A mana negra torna-te mau.
- Define mau.
- Erode a tua humanidade. Torna-te louco com o tempo.
- Pareço-te louco? Ou malvado?
- Honestamente? Um bocado de ambas.
- Porquê?
- Porque arrastaste alguem para um local onde é indefesa e de onde não consegue sair.
- Puto, mesmo eu eventualmente canso-me de estar constantemente a evitar os teus ataques. Arrastei-te para aqui precisamente para não ter que o fazer.
- Portanto assim que eu conseguir aceder a seja o que for, posso matar-te, eventualmente.
- Hum?
- Se tambem te cansas, implica que poderemos voltar a insistir. Talvez te canses mais cedo que eu.
- Ou eu mato-te agora, que tal? Ou esqueces-te que ainda só me viste defender-me?
- Que raios podes tu fazer?
- Lembras-te da tua familia, certo?
- Sim.
- Eu posso assegurar-me que não.
- Hum?
- Exacto. É uma forma de ataque.
- Apagar memorias?
- Posso apagar a tua mente, garantir que tudo desvanece. Transformarte-ias num pratico zombie, sem proposito excepto os instintos mais basicos. Vi pessoas a sobreviverem a um ataque assim e nunca mais recuperarem. Ainda vivos hoje, naquela miseravel condição.
- Como podes ser tão cruel?
- Ei. Quem disse que fui eu a fazê-lo?
- Se sabes que consegues fazê-lo...
- Não sou nenhum monstro, ao contrario do que pensas. Sou maioritariamente um recluso das minhas memorias, praticamente nao interagindo com o mundo. Admito que algumas das coisas que tive que fazer nao foram muito agradaveis, mas o mundo é um sitio melhor pelo que eu fiz.
- Referes-te ao teu tempo nos Escarlates?
- Tambem.
Estão ambos sentados na escuridão. Um longo silencio, quebrado por Drak.
- Como te chamas?
- Chamam-me Ignis.
- Drakallis. Drak para os amigos.
- Eu sei.
- Como sabias?
- Ja te tinha seguido antes.
- Andas atrás de mim desde aquilo?
- Exacto. Já tinha estado proximo, só nunca tinha sido convidado a beber por ti antes.
- Já tinha percebido que algo se andava a passar por isso tenho andado sossegado. Honestamente nao esperava um miudo.
- Tens inimigos?
- Toda a gente tem.
- Não lidas com isso, senhor todo poderoso? É que aparentemente podias.
— Prefiro manter-me no meu canto.
- Saiste mesmo de activo?
- Mais ou menos. Arma-te em louco onde eu esteja e eu acabo contigo num piscar de olhos. Isto aplica-se a todos. Mas tento resolver tudo diplomaticamente hoje em dia.
- Como comigo?
- Exacto.
- Porquê? Podias simplesmente eliminar-me já. Sabes que nao desistirei.
- Pode ser que tentes pelo menos perceber que ainda nao chega, e portanto convem melhorar as tuas habilidades primeiro.
- Ainda assim.
- Encontramo-nos para tal proposito quando quiseres. Mas hoje nao me apetece matar-te. Espero que penses que aquilo que aconteceu foi realmente algo bastante tragico que fui obrigado a fazer. O Willie perdeu a perna graças a isso. Os nossos dois companheiros morreram ás mãos daquele demonio, se ele nao fosse parado, não so os que morreram na devastação, mas toda a cidade teria morrido se eu falhasse.
- Não conseguias outra forma?
- Eu... não consegui conter toda a energia. Tentei enquanto foi possivel salvar o hospedeiro, mas... Quando percebi que era impossivel... Apercebi-me que para acabar com ele tinha que lhe cortar qualquer possibilidade de fuga.
- Do demonio?
- Sim. Caso eu tivesse morto o hospedeiro ele poderia tentar passar para outro hospedeiro ou seria forçado a voltar ao seu inferno de origem. Eu tive que certificar-me de que não haveriam hospedeiros.
- Havia pelo menos tu e o Willie.
- O Willie é imune. O Willie tem algumas habilidades um pouco fora do normal.
- Havias tu.
- Exacto. Mas uma batalha por controle da minha mente eu aguento bem, não aguento é que um demonio fique com uma porta aberta para o meu mundo e sobreviva para a usar. Obviamente ele tentou. Mas foi uma batalha sem qualquer esperança desde o inicio. Sem um hospedeiro controlavel, nao teve muito tempo para começar a faltar-lhe a energia para se manter neste mundo. Eu simplesmente garanti que o seguia. Consigo seguir qualquer teletransporte, seja de que tipo for, se o vir a acontecer. Eu consigo ver portas astrais, logo, foi facil de seguir o demonio até a origem dele.
- Mataste-o.
- Estou aqui, certo?
- Certo.
- Ensina-me. Mostra-me como melhorar.
- Puto, na melhor das hipoteses, eu mostro-te mais poder. Sobre melhorar... isso será contigo.
- Aceito.
Nova sensação de desfazamento, e encontravam-se ambos de volta a clareira.
- Ignis, aqui acedes a mana. Arranja uma fogueira se faz favor.
Acamparam sem muitas mais palavras, adormecendo ao calor da fogueira.
- Demónio. Sei que estás aqui, mostra-te ou reduzo este lugar a cinzas contigo lá dentro.
A repentina entrada do jovem estranho num lugar apinhado de homens de mau feitio nesta zona das docas, especialmente dadas as palavras, causaram com que toda a taberna paralisasse um momento, olhos fixos no estranho, mãos a serem apertadas em torno de tudo o que pudesse servir de arma.
No meio do conturbado momento, um humano sentado sozinho numa mesa junto à lareira chamou a atenção geral:
- Se caças demonios queimando inocentes, és tão mau quanto o que tentas caçar. E que tal se acalmasses os nervos, te sentasses a beber uma cerveja enquanto me contas o que se passa. Willie, dá-nos uma caneca e enche-me o calice por favor. O resto de vocês podem voltar a beber descansados.
O humano era alto, vestido de roupas largas, negras, se bem que desgastadas. Um manto por cima de uma blusa justa e calças rasgadas no fundo. Era semi-conhecido. Semi porque toda a gente o tinha visto ali antes, não porque alguém soubesse algo sobre ele.
O jovem pareceu acalmar-se, e a atenção geral acabou por desvanecer dele pouco antes do olhar assassino passar a um olhar interrogativo virado ao humano que o havia convidado a sentar.
- Não estás à espera que eu me vá levantar e puxar-te a cadeira como faria a uma senhora, certo? Willie...
- 'Tou a ir. - com isto o taberneiro entregou uma caneca de cerveja e um calice novo na mesa e voltou para trás do balcão.
O jovem sentou-se e bebeu um longo trago da caneca. Entretanto, o homem de negro questionou-o:
- Quem ou o que procuras tu?
- O demonio que destruiu cinco blocos do mercado há alguns anos atrás.
- Referes-te à explosão de há alguns anos? Toda a gente pensa que tal foi um acidente.
- A minha familia morreu nesse "acidente". (O tom era amargo ao dizer a palavra.)
- Compreendo. Mas... se procuras o demonio que o fez... é porque sabes que não foi acidente. Explica-me.
- Eu consigo sentir e manipular poder arcano. Aquela explosão foi uma explosão arcana, não uma explosão normal como toda a gente pensa. Foi tão intenso que mesmo hoje se consegue sentir os resquicios da energia conjurada nesse dia. É possivel ler a assinatura arcana.
- Ler?
- Sabe, a energia canalizada responde de forma ligeiramente diferente, deixa rasto diferente conforme a pessoa que a conjura. Quanto mais potente o uso, mais fácil é distinguir quem é o responsavel, se para tal conseguir que ele revele ainda que o mais pequeno traço de energia arcana proximo de mim. É por isto que sei que ele veio para aqui. Mas a verdade é que não sinto nada neste momento. Pelo que percebi, terá baixado qualquer defesa arcana depois de ter entrado. Consegui seguir o rasto até aqui.
- Compreendo. E que planeias fazer quando encontrares a pessoa em questão?
- Matar aquele demonio e livrar o mundo de um assassino perigoso com poderes que não deveriam cair em mãos como as dele.
- Portanto, deixa ver se percebi... tu tens o quê? 16 anos?
- 18.
- Certo. E planeias matar um demonio que há alguns anos arrasou com quase metade do mercado a meio da noite. Demonio que indicas conseguir usar o mesmo tipo de poder que tu reclamas ter, e que portanto tem exactamente as mesmas vantagens extra-fisicas que tu. Como podes garantir conseguir eliminar alguem assim? És um jovem. Devias estar a desenvolver o teu talento em vez de a correr atrás da morte. Planeias juntar-te à familia que já perdeste é?
Um ar de seriedade e dor tomaram conta do jovem mago.
- Não posso falhar. Não posso morrer enquanto aquele demonio existir.
- Se falhares morres, certo? Sem segunda oportunidade.
- Recuso-me a falhar.
- Ainda assim, continua a ser uma possibilidade. Estou apenas a ajudar-te a pensar. E tu resolves entrar a berrar que vais queimar o sitio. Jovem Mago, o taberneiro era um antigo Escarlate que se reformou ao perder a perna esquerda. Mesmo sem a perna, aposto que ele ainda te conseguia fazer estragos, magia ou não ao barulho.
- Escarlate? Aqui? Pensava que a organização deles apenas operava a norte de Val-horn.
- Reformado. E eles têm agentes bem alem de Val-horn.
- Certo. Não receio nem um Escarlate. A minha presa é bem mais poderosa.
- Diz-me uma coisa. Se esse demonio fizesse uso da sua energia agora, tu reparavas nele certo? Reconhecerias a assinatura arcana?
- Sim.
- Optimo. Mantém-te atento então.
- Atento a quê?
Ao redor deles, os ocupantes da taberna começaram a adormecer, um a um, no local onde se encontravam. Os unicos resistentes eram os ocupantes da mesa e o taberneiro, que com um ar entediado resolveu intervir:
- Drak, podes por favor parar de usar a minha taberna para testes teus?
- Desculpa Willie, mas aqui o nosso amigo precisava de uma pequena dose de energia arcana para confirmar se existia aqui um demonio.
O jovem mago estava de pé, em posição de defesa e com uma bola de chamas entre as mãos, parada mas pronta a ser atirada.
As chamas apagaram de repente, bem como pouco depois começaram a ouvir-se os clientes a começar a acordar, resultado do cancelamento do feitiço de sono.
- Willie... porque fizeste isso? - palavras de Drak, o homem de negro.
- Porque ali o pirralho ia disparar aquela bola contra ti. Acho que ele achou o demonio dele. levem isto lá para fora. Eu vou continuar a manter a minha tecnica activa, portanto nem pensem que um pingo de energia arcana vai ser usada dentro da minha taberna.
Drakallis tranquiliza o taberneiro:
- Descansa, eu vou com ele, e vou tentar esclarecer o que se passa. Isto se ele resolver ouvir, que esta cabeça deve ser dura que nem rocha. Normalmente magos de fogo são assim.
- Tens razão. Mas tenta não acabar com o pirralho. Ele parece ter algum talento.
O mago permanecia incredulo a olhar para as palmas das mãos, perplexo.
- A técnica de anulação dos Escarlates. A minha magia é inutil.
- Exacto pirralho. E aqui a do teu demonio tambem. Mas ao contrario de ti, garanto-te que ele sabe sobreviver sem magia. Pira-te do meu estabelecimento por agora e não destruam nada dentro da cidade enquanto tentas esquartejar ali o Drak. Já agora, a cidade é mais ou menos o alcance do meu poder. Estou enferrujado, conseguia cobrir a provincia.
Drakallis pegou no mago pelo ombro e praticamente arrastou-o para a rua mal iluminada naquela fria madrugada. Viraram a primeira esquina apos a saida para um beco, e de repente o jovem perdeu temporariamente a noção de onde estava.
Quando a sua mente conseguiu finalmente resolver a confusão interna apercebeu-se de que se encontrava numa clareira de uma floresta, não fazia ideia de onde.
- Teletransporte miudo. Bastante util. Foi por isso que me seguiste até ali. É por isto que nem é dificil de identificar os meus passos para alguem como tu. São raros nestas partes do mundo sabias? Aqueles que conseguem realmente dominar a energia.
- Foste tu quem causou aquela explosão.
- Não. Eu fui obrigado a causar aquela explosão. O Willie perdeu a perna graças a essa explosão. Muitos outros teriam morrido se eu nao tivesse causado essa explosão. Aquilo que aniquilei nesse dia sim, era um demonio. Eu ainda sou humano, se bem que por bem pouco, acho eu.
- Como assim?
- Ah. O meu corpo é humano, mas eu não sou propriamente um humano normal.
- Que queres tu dizer com tudo isso?
- Eu, o Willie e mais dois membros dos Escarlate terminamos uma missão durante essa explosão. O objectivo era uma aberração, um mago possuido. O nosso objectivo era o demonio, não o hospedeiro.
- Tu és um Escarlate?
— Já fui. É uma longa história. Retirei-me pouco depois dessa missão.
- Eu quero matar-te.
- Já te disse, estás a enfrentar alguem que te é vastamente superior.
- Não acredito em tal.
Uma bola de chamas passou a razar a cara de Drak, desviada de curso.
- Como fizeste isso?
- Magia.
- Eu não falhei a pontaria, tu não te mexeste, a minha bola simplesmente desviou-se de ti.
- Exacto. Magia.
Três novas bolas, duas deflectidas para os lados, a terceira voltando para trás e parando em frente da cara do mago.
Raizes com espinhos brotaram do chão, envolvendo-lhe as mãos e os pés, prendendo-o num abraço que o deixava praticamente indefeso contra a explosiva bola de chamas ainda parada em frente da sua cara.
- Os meninos não deviam brincar com fogo.
- Atreves-te a fazer troça de mim?!
- Se queres matar a tua presa, precisas conseguir sobreviver ao seu ataque. Pensavas mesmo que podias simplesmente matar-me com uma bolita de chamas?
Um pilar de chamas envolveu o mago, queimando as raizes e absorvendo a bola que se encontrava em frente da sua cara.
Varios outros projecteis irromperam do pilar na direcção de Drak.
Todos eles certeiramente apontados ao seu peito.
Drak não se mexeu e absorveu os projecteis.
Várias explosões depois o pilar desvaneceu-se, o mago com ar cansado esperava a poeira do devastador ataque baixar para revelar um cadaver carbonizado, mas tudo o que estava era Drak, ileso, vestes intocadas pelas chamas.
- Como? Tu foste atingido.
- Sim.
- Estás ileso.
- Sim.
- Como?
Drakallis desapareceu da visão do mago. Sombras atrás do mago ergueram-se e engoliram-no. Tudo à volta era escuridão, e a forma de Drak erguia-se à sua frente.
As tentativas do mago de conjurar fosse o que fosse eram em vão. Drak sabia disso e aguardou, paciente que o mago voltasse a falar, o que demoraria uns dois minutos.
- Porque é que eu não consigo usar nada?
- Não tens fonte de mana.
- Eu sou a minha fonte de mana.
- Criança. Brinca com o fogo e pensa dominar o sol.
- Pára de gozar comigo. Se os teus poderes são remotamente parecidos aos meus, tu tambem não deves conseguir usar nada.
- Achas mesmo que eu sou parvo? Sim, este pequeno globo de escuridão é engraçado, mas a verdade... tu já não te encontras em Selenia. Estás fisicamente cortado das tuas fontes de mana. Estás fora do teu plano, e não consegues aceder a ele para drenar mana para alimentar a tua magia. Estás num plano de sombras.
- Mas isso significa que eu posso aceder à mana deste situo.
- Não me parece. Tenta usar uma das tuas magias com a mana deste situo então.
Uma pausa...
- Não consigo. Mas presumo que tu sim, e te vais dar ao prazer de me explicar o porquê.
- Porque pensas isso?
- Não te certificaste de que eu pudesse apenas depender do meu corpo para nada. Ou vais matar-me, ou vais explicar.
- Ou ambas.
- Ou ambas. Mas começa por explicar. Ao menos morro com mais conhecimento.
- É essa a atitude. Isto é um plano nulo. Não consegues aceder a mana do teu tipo aqui. Sim, há mana, e sim, eu consigo aceder a mana. Tu tambem consegues. Mas pelo que percebi tu és um mago de fogo. Precisas de tal.
- Exacto.
- Eu não. E eu estou perfeitamente em harmonia com este situo. Estás neste momento no situo onde costumo vir meditar. Arrastei-te através de uma porta que sabia existir ali. Deste lado, infelizmente para ti, já me apercebi que eu posso ver a porta e tu não.
- Há uma saida deste sitio?
- Há. Mas se não consegues vê-la, não consegues usa-la. Vais precisar de mim para sair daqui. Portanto, mesmo que ainda penses que me podes matar, sim, até talvez pudesses caso conseguisses reaver a tua energia, coisa que te consigo sentir a fazer neste preciso momento, o que implica que se me matares, ficarás aqui preso. Podes continuar a tua busca.
- Certo. Portanto, vais esperar que eu recupere é?
- Sim.
- Então explica-te.
- Que queres saber?
- Onde estou?
- Num plano nulo. Tal como te disse, transportei-nos do beco para junto da porta deste sitio. É como uma outra dimensão que não a que estás habituado a ver.
- Há outras então.
- Biliões.
- Exploraste?
- Alguns milhares. Alguns são sitios grandes, outros nem tanto.
- Como acedes a mana aqui?
- Através do ether, mesmo que em qualquer outro sitio. Tu não consegues é encontrar o teu caminho através dele para um sitio que te seja familiar.
- Estou mesmo fisicamente desconectado?
- Sim, é isso que te está a causar dificuldades. Eventualmente, conseguindo meditar e apalpar, digamos, conseguiras aceder. Eu tenho é outra familiaridade com o sitio. Mas se conseguires canalizar mana negra, este sitio está repleto dela.
- Magia negra?
- Sim.
- Não conheço magia proibida.
- Isso é hilariante. Proibida porquê?
- A mana negra corrompe.
- A mana corrompe. Toda a mana. Modela-te mais à sua forma de ser.
- A mana negra torna-te mau.
- Define mau.
- Erode a tua humanidade. Torna-te louco com o tempo.
- Pareço-te louco? Ou malvado?
- Honestamente? Um bocado de ambas.
- Porquê?
- Porque arrastaste alguem para um local onde é indefesa e de onde não consegue sair.
- Puto, mesmo eu eventualmente canso-me de estar constantemente a evitar os teus ataques. Arrastei-te para aqui precisamente para não ter que o fazer.
- Portanto assim que eu conseguir aceder a seja o que for, posso matar-te, eventualmente.
- Hum?
- Se tambem te cansas, implica que poderemos voltar a insistir. Talvez te canses mais cedo que eu.
- Ou eu mato-te agora, que tal? Ou esqueces-te que ainda só me viste defender-me?
- Que raios podes tu fazer?
- Lembras-te da tua familia, certo?
- Sim.
- Eu posso assegurar-me que não.
- Hum?
- Exacto. É uma forma de ataque.
- Apagar memorias?
- Posso apagar a tua mente, garantir que tudo desvanece. Transformarte-ias num pratico zombie, sem proposito excepto os instintos mais basicos. Vi pessoas a sobreviverem a um ataque assim e nunca mais recuperarem. Ainda vivos hoje, naquela miseravel condição.
- Como podes ser tão cruel?
- Ei. Quem disse que fui eu a fazê-lo?
- Se sabes que consegues fazê-lo...
- Não sou nenhum monstro, ao contrario do que pensas. Sou maioritariamente um recluso das minhas memorias, praticamente nao interagindo com o mundo. Admito que algumas das coisas que tive que fazer nao foram muito agradaveis, mas o mundo é um sitio melhor pelo que eu fiz.
- Referes-te ao teu tempo nos Escarlates?
- Tambem.
Estão ambos sentados na escuridão. Um longo silencio, quebrado por Drak.
- Como te chamas?
- Chamam-me Ignis.
- Drakallis. Drak para os amigos.
- Eu sei.
- Como sabias?
- Ja te tinha seguido antes.
- Andas atrás de mim desde aquilo?
- Exacto. Já tinha estado proximo, só nunca tinha sido convidado a beber por ti antes.
- Já tinha percebido que algo se andava a passar por isso tenho andado sossegado. Honestamente nao esperava um miudo.
- Tens inimigos?
- Toda a gente tem.
- Não lidas com isso, senhor todo poderoso? É que aparentemente podias.
— Prefiro manter-me no meu canto.
- Saiste mesmo de activo?
- Mais ou menos. Arma-te em louco onde eu esteja e eu acabo contigo num piscar de olhos. Isto aplica-se a todos. Mas tento resolver tudo diplomaticamente hoje em dia.
- Como comigo?
- Exacto.
- Porquê? Podias simplesmente eliminar-me já. Sabes que nao desistirei.
- Pode ser que tentes pelo menos perceber que ainda nao chega, e portanto convem melhorar as tuas habilidades primeiro.
- Ainda assim.
- Encontramo-nos para tal proposito quando quiseres. Mas hoje nao me apetece matar-te. Espero que penses que aquilo que aconteceu foi realmente algo bastante tragico que fui obrigado a fazer. O Willie perdeu a perna graças a isso. Os nossos dois companheiros morreram ás mãos daquele demonio, se ele nao fosse parado, não so os que morreram na devastação, mas toda a cidade teria morrido se eu falhasse.
- Não conseguias outra forma?
- Eu... não consegui conter toda a energia. Tentei enquanto foi possivel salvar o hospedeiro, mas... Quando percebi que era impossivel... Apercebi-me que para acabar com ele tinha que lhe cortar qualquer possibilidade de fuga.
- Do demonio?
- Sim. Caso eu tivesse morto o hospedeiro ele poderia tentar passar para outro hospedeiro ou seria forçado a voltar ao seu inferno de origem. Eu tive que certificar-me de que não haveriam hospedeiros.
- Havia pelo menos tu e o Willie.
- O Willie é imune. O Willie tem algumas habilidades um pouco fora do normal.
- Havias tu.
- Exacto. Mas uma batalha por controle da minha mente eu aguento bem, não aguento é que um demonio fique com uma porta aberta para o meu mundo e sobreviva para a usar. Obviamente ele tentou. Mas foi uma batalha sem qualquer esperança desde o inicio. Sem um hospedeiro controlavel, nao teve muito tempo para começar a faltar-lhe a energia para se manter neste mundo. Eu simplesmente garanti que o seguia. Consigo seguir qualquer teletransporte, seja de que tipo for, se o vir a acontecer. Eu consigo ver portas astrais, logo, foi facil de seguir o demonio até a origem dele.
- Mataste-o.
- Estou aqui, certo?
- Certo.
- Ensina-me. Mostra-me como melhorar.
- Puto, na melhor das hipoteses, eu mostro-te mais poder. Sobre melhorar... isso será contigo.
- Aceito.
Nova sensação de desfazamento, e encontravam-se ambos de volta a clareira.
- Ignis, aqui acedes a mana. Arranja uma fogueira se faz favor.
Acamparam sem muitas mais palavras, adormecendo ao calor da fogueira.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Porque estou farto de repetir o mesmo.
Porque estou cansado de ver as minhas palavras a caírem no vazio.
Porque estou exausto de te tentar tocar apenas para ser afastado.
Porque estou desiludido de ver que só estás cansada para mim.
Porque estou desesperado por um carinho que nunca chega.
Porque estou sozinho mesmo estando acompanhado.
Porque estou cheio de ouvir que me amas sem o ver demonstrado.
Porque estou farto de te tentar tocar só para ser afastado.
Porque estou a precisar de apoio que não chega.
Porque estou desejoso de ter de volta aquilo que costumavas ser para mim.
Porque estou cansado de mentir à mesma pergunta de sempre.
Porque estou ainda mais farto de ver no teu rosto que sabes que minto, e simplesmente te resignas com a resposta.
Porque estou cansado de ter uma alcunha que já nada significa.
Porque no fundo, amo-te, e só tenho pena de tu já não partilhares esse sentimento.
É por isto que te respondo sempre: "Não, não estou chateado contigo."
Não, não estou chateado. Só estou exausto de ver uma relação a desvanecer-se e nada do que eu faça o pode parar, porque tu simplesmente não estás interessada.
Porque estou cansado de ver as minhas palavras a caírem no vazio.
Porque estou exausto de te tentar tocar apenas para ser afastado.
Porque estou desiludido de ver que só estás cansada para mim.
Porque estou desesperado por um carinho que nunca chega.
Porque estou sozinho mesmo estando acompanhado.
Porque estou cheio de ouvir que me amas sem o ver demonstrado.
Porque estou farto de te tentar tocar só para ser afastado.
Porque estou a precisar de apoio que não chega.
Porque estou desejoso de ter de volta aquilo que costumavas ser para mim.
Porque estou cansado de mentir à mesma pergunta de sempre.
Porque estou ainda mais farto de ver no teu rosto que sabes que minto, e simplesmente te resignas com a resposta.
Porque estou cansado de ter uma alcunha que já nada significa.
Porque no fundo, amo-te, e só tenho pena de tu já não partilhares esse sentimento.
É por isto que te respondo sempre: "Não, não estou chateado contigo."
Não, não estou chateado. Só estou exausto de ver uma relação a desvanecer-se e nada do que eu faça o pode parar, porque tu simplesmente não estás interessada.
domingo, 19 de junho de 2011
Silence
Silence. Blessing, curse...
Silence is the sound I most often make. No words, no whispers, no sound.
Why? Well, what's the point in talking? People don't listen. They hear, and they forget. I talk, and then I regret ever saying a word when moments later everything just goes back to what it was before I said anything. Why ask if you aren't willing to listen? Why make someone talk, explain, hurt while doing so, only to do exactly the same thing the next day?
That is the reason I stay silent. The first time you say something new, something unheard before, it's news. The second time, its just a repetition of the first one, with nothing new in it except the pain of having to repeat it when your brain just screams inside that there is abso-fucking-lutly no point in saying it again. There is no point because if you had listened the first time, instead of just hearing, you wouldn't need to be saying it again. You could be enjoying the blessing of being silent, instead of the pain of repeating allied to the dreadful certainty that it will have exactly the same effect it did before... none...
And then it repeats again... more useless talking into empty ears that refuse to listen, more trying even harder to find the right words to make your point get across to somebody else, more of the same happening little after...
"The quieter you become, the more you are able to hear."
That sentence is a quote I found in Backtrack Linux the first time I installed it and that I shall forever remember. I'm not gonna go on a ramble on how strong those words are, how perfect they are in reflecting what is expected of the users of Backtrack. There's no point in that. However, it does have a pretty powerful message inside that can be applied to all other aspects of life... Meditate upon it if you dare.
How can you fear something so much, see that its happening and still do nothing to avoid it? Especially when it can be as simple...
Silence is the sound I most often make. No words, no whispers, no sound.
Why? Well, what's the point in talking? People don't listen. They hear, and they forget. I talk, and then I regret ever saying a word when moments later everything just goes back to what it was before I said anything. Why ask if you aren't willing to listen? Why make someone talk, explain, hurt while doing so, only to do exactly the same thing the next day?
That is the reason I stay silent. The first time you say something new, something unheard before, it's news. The second time, its just a repetition of the first one, with nothing new in it except the pain of having to repeat it when your brain just screams inside that there is abso-fucking-lutly no point in saying it again. There is no point because if you had listened the first time, instead of just hearing, you wouldn't need to be saying it again. You could be enjoying the blessing of being silent, instead of the pain of repeating allied to the dreadful certainty that it will have exactly the same effect it did before... none...
And then it repeats again... more useless talking into empty ears that refuse to listen, more trying even harder to find the right words to make your point get across to somebody else, more of the same happening little after...
"The quieter you become, the more you are able to hear."
That sentence is a quote I found in Backtrack Linux the first time I installed it and that I shall forever remember. I'm not gonna go on a ramble on how strong those words are, how perfect they are in reflecting what is expected of the users of Backtrack. There's no point in that. However, it does have a pretty powerful message inside that can be applied to all other aspects of life... Meditate upon it if you dare.
How can you fear something so much, see that its happening and still do nothing to avoid it? Especially when it can be as simple...
sábado, 4 de setembro de 2010
With the time spent with the family, and not having my own computer with me right now, I've been away from linux hacking for almost three weeks. I hadn't given it much though until now, but after joining Sabayon's group on facebook, I remembered how much I like it, and I remembered that I kinda miss fooling around the system, and I miss having a REAL development environment with my favorite tools to work with. So, I decided to install Sabayon linux on this computer, replacing the old debian install I had on this disk that hasn't been used in months. The reason I still have it here is that grub is managing the booting of the operating systems, and I don't have the time to work around it, leaving only windows installed, since formating isn't an option at this time. Too much crap to back-up manually from inside windows, too little time to do it properly.
So I was thinking about what I needed, and how I could get it, while browsing through old drafts, when I found a tutorial I had written a long time ago and never posted, when I decided that maybe I can install what I want, fix it all up and post how to do it. Maybe I can get some experience points in tutorial writing.
Can't really post a step-by-step instruction set right now since Sabayon is still downloading, but I can describe the problem at hand.
Now, the first issue is that windows can't break during the process or hell will be raised and I'll sleep on the couch (kidding, I hope). So windows has to be able to boot, and needs access to everything on it's own partition plus everything on a second partition that will be used for sharing files between both operating systems. The old partition scheme is going to be reused, but the filesystems need changing, since the sharing partition is a FAT32 partition (don't ask me why, 'cause I have no clue). That one needs to become an NTFS filesystem. The windows one will remain untouched, as will the swap partition. However, the boot partition needs to be resized and changed to ext3 (why? Because I want to.) That leaves the root partition for sabayon and new partition for home, because of the extra safety it ensures that if I have to do something to the root or if I feel like changing distro, I can keep my personal files safely stored and untouched.
So, here we go, this is the intro post for an upcoming tutorial(s). I plan to make Sabayon become as user friendly to my girlfriend as I can, but still providing her with all her favorite applications, which means that I'll have to setup some windows applications under wine (Sims 3 comes to mind), meaning that I can give some pointers to anybody interested along the way. Just a way to give a bit back to the world and to ease the load on other members of the linux community. So, long story put short, I'll be sharing a bit of knowledge and a few linux recipes over the next weeks, so feel free to use them.
So I was thinking about what I needed, and how I could get it, while browsing through old drafts, when I found a tutorial I had written a long time ago and never posted, when I decided that maybe I can install what I want, fix it all up and post how to do it. Maybe I can get some experience points in tutorial writing.
Can't really post a step-by-step instruction set right now since Sabayon is still downloading, but I can describe the problem at hand.
Now, the first issue is that windows can't break during the process or hell will be raised and I'll sleep on the couch (kidding, I hope). So windows has to be able to boot, and needs access to everything on it's own partition plus everything on a second partition that will be used for sharing files between both operating systems. The old partition scheme is going to be reused, but the filesystems need changing, since the sharing partition is a FAT32 partition (don't ask me why, 'cause I have no clue). That one needs to become an NTFS filesystem. The windows one will remain untouched, as will the swap partition. However, the boot partition needs to be resized and changed to ext3 (why? Because I want to.) That leaves the root partition for sabayon and new partition for home, because of the extra safety it ensures that if I have to do something to the root or if I feel like changing distro, I can keep my personal files safely stored and untouched.
So, here we go, this is the intro post for an upcoming tutorial(s). I plan to make Sabayon become as user friendly to my girlfriend as I can, but still providing her with all her favorite applications, which means that I'll have to setup some windows applications under wine (Sims 3 comes to mind), meaning that I can give some pointers to anybody interested along the way. Just a way to give a bit back to the world and to ease the load on other members of the linux community. So, long story put short, I'll be sharing a bit of knowledge and a few linux recipes over the next weeks, so feel free to use them.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
VB was put on hold today since real life got in the way of learning. From running errands with my love in the morning to a trip to a certain clinic in the afternoon, to taking care of my kid up until now, my day has been pretty busy.
I'm really apprehensive about a decision I made today. I got to choose my medication today. Actually, I wasn't really offered a choice, but I took my chances anyway and spoke my mind. Hell, if I'm paying someone to listen to me, I might as well use that, right? There is an issue though. And not a minor one at that. After a lot of failed attempts at finding a therapist, back in 2007 a friend of mine, who shall remain nameless out of respect for his privacy, told me that he had been treated quite successfully in the past years in some clinic. Desperate, seeking salvation from my own mind and from the thoughts that run through it at that time, and pressured by my family and my girlfriend at that time to seek medical help, I decided to give it a go.
Right now I'm remembering all that happened during that time... I started treatment in mid October. My first anti-depressive medication worked wonders, starting from day one to produce visible changes in my mood. I still remember the first few days fondly... It was quite a rush, all the world seemed brighter, I started noticing stuff I had never acknowledged before. Hell, if my own life wasn't such a mess at that time, I'd say I would have felt quite happy. The drugs worked really well during the month that followed, my mood quite better, the thoughts of suicide completely banished from my mind, I started regaining my former love for learning, even my writing improved quality. Apparently it worked like magic, except for one not so minor detail. It simply killed my libido. I said that to my therapist back then. She said that even if it was only very rarely registered, the possibility existed, and had been documented before. We changed the pills. I wanted sex. Hell, its only fair, right? A guy needs his fun, and at the time, sex and drugs were my only possibilities of fun. At least those were the only two things that gave me pleasure back then. The next anti-depressives weren't nearly as effective, but they gave me back my libido. I could have sex again, apparently. Except that my girlfriend wasn't exactly receptive to it, even though it was her that made me commit to changing drugs.
So, why would a guy go through that again? Really, I mean, why would I risk going back to the same drug that supposedly removed my sex drive? Especially when I'm living with my girlfriend (who, in case you haven't figured out, or aren't familiar with my story, isn't the same person as the one I was with at the time. She's the one that proved to me that I had a sex drive after the drug change.)? That was the exact question that my therapist asked.
I answered her. I wasn't even aware that I had an answer to the question, but I did. Hell, I wasn't even aware that I wanted to give the first drug a chance until the words "I want to try the other one again." left my mouth. But I caught her off-guard as much as I did the same to myself. Yet I spoke with such conviction, and with such reason that she let me have my way. Right now, I still doubt myself, but at that moment there was no doubt at all in my mind. I asked her: "What if the drug itself wasn't the problem? What if the lack of interest from my former partner was the real cause of the dysfunction? Because with the time that has past since then, and with a clearer sight of the facts, I think that was the reason."
I may be right, or I may be wrong. If I'm right, then I have in my hands the best substance to help me deal with my depression. I don't want to be wrong, because it would be a damn bad month for both of us if I am...
It is a risk, but every choice one makes in life is one. And the possibility of having a solution to my problems in my hands it's a risk worth taking. I'm sure she'll understand my choice. I hope she understands my choice...
I'm really apprehensive about a decision I made today. I got to choose my medication today. Actually, I wasn't really offered a choice, but I took my chances anyway and spoke my mind. Hell, if I'm paying someone to listen to me, I might as well use that, right? There is an issue though. And not a minor one at that. After a lot of failed attempts at finding a therapist, back in 2007 a friend of mine, who shall remain nameless out of respect for his privacy, told me that he had been treated quite successfully in the past years in some clinic. Desperate, seeking salvation from my own mind and from the thoughts that run through it at that time, and pressured by my family and my girlfriend at that time to seek medical help, I decided to give it a go.
Right now I'm remembering all that happened during that time... I started treatment in mid October. My first anti-depressive medication worked wonders, starting from day one to produce visible changes in my mood. I still remember the first few days fondly... It was quite a rush, all the world seemed brighter, I started noticing stuff I had never acknowledged before. Hell, if my own life wasn't such a mess at that time, I'd say I would have felt quite happy. The drugs worked really well during the month that followed, my mood quite better, the thoughts of suicide completely banished from my mind, I started regaining my former love for learning, even my writing improved quality. Apparently it worked like magic, except for one not so minor detail. It simply killed my libido. I said that to my therapist back then. She said that even if it was only very rarely registered, the possibility existed, and had been documented before. We changed the pills. I wanted sex. Hell, its only fair, right? A guy needs his fun, and at the time, sex and drugs were my only possibilities of fun. At least those were the only two things that gave me pleasure back then. The next anti-depressives weren't nearly as effective, but they gave me back my libido. I could have sex again, apparently. Except that my girlfriend wasn't exactly receptive to it, even though it was her that made me commit to changing drugs.
So, why would a guy go through that again? Really, I mean, why would I risk going back to the same drug that supposedly removed my sex drive? Especially when I'm living with my girlfriend (who, in case you haven't figured out, or aren't familiar with my story, isn't the same person as the one I was with at the time. She's the one that proved to me that I had a sex drive after the drug change.)? That was the exact question that my therapist asked.
I answered her. I wasn't even aware that I had an answer to the question, but I did. Hell, I wasn't even aware that I wanted to give the first drug a chance until the words "I want to try the other one again." left my mouth. But I caught her off-guard as much as I did the same to myself. Yet I spoke with such conviction, and with such reason that she let me have my way. Right now, I still doubt myself, but at that moment there was no doubt at all in my mind. I asked her: "What if the drug itself wasn't the problem? What if the lack of interest from my former partner was the real cause of the dysfunction? Because with the time that has past since then, and with a clearer sight of the facts, I think that was the reason."
I may be right, or I may be wrong. If I'm right, then I have in my hands the best substance to help me deal with my depression. I don't want to be wrong, because it would be a damn bad month for both of us if I am...
It is a risk, but every choice one makes in life is one. And the possibility of having a solution to my problems in my hands it's a risk worth taking. I'm sure she'll understand my choice. I hope she understands my choice...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
After a lot of time spend reading and programming code in visual basic, after almost 500 pages read, and several hundred lines of code written, tested and dissected, while trying to understand a completely alien IDE (which actually looks functional), I reached the brilliant conclusion that my time would have been much better spent practicing java, which is platform independent, and which I should really practice if I want a chance at getting a developer's job in Lisbon, instead of wasting time trying to figure out a language that can only be used on microsoft systems.
Mono developers are doing a great job, just like wine developers did (do), but the fact that microsoft's technologies are only fully compatible with their-selves in most cases.
It wouldn't be half bad if my specialization wasn't in open-source solutions. While I do feel that my knowledge has been expanded a bit, I can't help but feel that the headache and the time spent away from my kid wasn't really worth it. Why would I finally acknowledge VB's existence? Because I'm waiting for a contact for a second job interview for a position as a network admin and programmer that specifically asked in the required skills section the ability to program in VB.
I've left the first interview with a really bad feeling about the job. Apparently, they have several other divisions spread across the country, and they're using Outlook to keep coordinated. I know that Outlook is a great program, really useful in several ways, but keeping a whole company connected? File-sharing, developing, human resources, accounting... all that managed through outlook? I wonder...
Apparently the position is for a technician that can manage the network AND develop a solution to connect the several divisions of the company. Plus, the supervisor isn't anything even remotely close to an IT guy. He's an electrical engineer or something like that... I have yet to talk to the guy, but I don't feel very confident about this... I have the weird feeling that whoever fills the position is gonna be really under-payed if I really understood it. Wonder if that isn't the real reason for such low certifications asked. Besides the VB skills, everything else was pretty much common knowledge (or am I assuming that people in general know much more then they do?! I don't think so...). Still, I feel unease about this. I'll just wait to see what happens, but in the case I am hired, and stuff really is what I am thinking it is, I'm getting the hell out of there as soon as any other company hires me. I won't quit just to go back to being unemployed, and I may end up really enjoying the challenge, but one thing is to accept a challenge, another is to become a slave.
Lets see how it goes...
Noise: Jetson and Junkie - Hell is Hell
I really liked this release. Just in case anybody wants to listen/download, here's the link: http://www.phonotactics.info/?p=366
Mono developers are doing a great job, just like wine developers did (do), but the fact that microsoft's technologies are only fully compatible with their-selves in most cases.
It wouldn't be half bad if my specialization wasn't in open-source solutions. While I do feel that my knowledge has been expanded a bit, I can't help but feel that the headache and the time spent away from my kid wasn't really worth it. Why would I finally acknowledge VB's existence? Because I'm waiting for a contact for a second job interview for a position as a network admin and programmer that specifically asked in the required skills section the ability to program in VB.
I've left the first interview with a really bad feeling about the job. Apparently, they have several other divisions spread across the country, and they're using Outlook to keep coordinated. I know that Outlook is a great program, really useful in several ways, but keeping a whole company connected? File-sharing, developing, human resources, accounting... all that managed through outlook? I wonder...
Apparently the position is for a technician that can manage the network AND develop a solution to connect the several divisions of the company. Plus, the supervisor isn't anything even remotely close to an IT guy. He's an electrical engineer or something like that... I have yet to talk to the guy, but I don't feel very confident about this... I have the weird feeling that whoever fills the position is gonna be really under-payed if I really understood it. Wonder if that isn't the real reason for such low certifications asked. Besides the VB skills, everything else was pretty much common knowledge (or am I assuming that people in general know much more then they do?! I don't think so...). Still, I feel unease about this. I'll just wait to see what happens, but in the case I am hired, and stuff really is what I am thinking it is, I'm getting the hell out of there as soon as any other company hires me. I won't quit just to go back to being unemployed, and I may end up really enjoying the challenge, but one thing is to accept a challenge, another is to become a slave.
Lets see how it goes...
Noise: Jetson and Junkie - Hell is Hell
I really liked this release. Just in case anybody wants to listen/download, here's the link: http://www.phonotactics.info/?p=366
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